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quinta-feira, 21 de abril de 2011

... A Paixão pela Fidelidade ...

Sexta-Feira Santa da Quaresma

22|ABR|11



1ª Leitura
Do Livro de Isaías (Is 52, 13-53,12)
Vede como vai prosperar o meu servo: subirá, elevar-se-á, será exaltado. Assim como, à sua vista, muitos se encheram de espanto - tão desfigurado estava o seu rosto que tinha perdido toda a aparência de um ser humano - assim se hão-de encher de assombro muitas nações e, diante dele, os reis ficarão calados, porque hão-de ver o que nunca lhes tinham contado e observar o que nunca tinham ouvido. Quem acreditou no que ouvimos dizer? A quem se revelou o braço do Senhor? O meu servo cresceu diante do Senhor como um rebento, como raiz numa terra árida, sem distinção nem beleza para atrair o nosso olhar nem aspecto agradável que possa cativar-nos. Desprezado e repelido pelos homens, homem de dores, acostumado ao sofrimento, era como aquele de quem se desvia o rosto, pessoa desprezível e sem valor para nós. Ele suportou as nossas enfermidades e tomou sobre si as nossas dores. Mas nós víamos nele um homem castigado, ferido por Deus e humilhado. Ele foi trespassado por causa das nossas culpas e esmagado por causa das nossas iniquidades. Caiu sobre ele o castigo que nos salva: pelas suas chagas fomos curados. Todos nós, como ovelhas, andávamos errantes cada qual seguia o seu caminho. E o Senhor fez cair sobre ele as faltas de todos nós. Maltratado, humilhou-se voluntariamente e não abriu a boca. Como cordeiro levado ao matadouro, como ovelha muda ante aqueles que a tosquiam, ele não abriu a boca. Foi eliminado por sentença iníqua mas, quem se preocupa com a sua sorte? Foi arrancado da terra dos vivos e ferido de morte pelos pecados do meu povo. Foi-lhe dada sepultura entre os ímpios, e um túmulo no meio de malfeitores, embora não tivesse cometido injustiça nem se tivesse encontrado mentira na sua boca. Aprouve ao Senhor esmagá-lo pelo sofrimento. Mas, se oferecer a sua vida como sacrifício de expiação, Terá uma descendência duradoira, viverá longos dias, e a obra do Senhor prosperará em suas mãos. Terminados os sofrimentos, verá a luz e ficará saciado na sua sabedoria. O justo, meu servo, justificará a muitos, e tomará sobre si as suas iniquidades. Por isso, Eu lhe darei as multidões como prémio  e terá parte nos despojos no meio dos poderosos; porque ele próprio entregou a sua vida à morte e foi contado entre os malfeitores, tomou sobre si as culpas das multidões e intercedeu pelos pecadores.

2ª Leitura
Da Carta aos Hebreus (Hb 4, 15-16; 5, 7-9)
Irmãos: Tendo nós um sumo sacerdote que penetrou os Céus, Jesus, Filho de Deus, permaneçamos firmes na profissão da nossa fé. Na verdade, nós não temos um sumo sacerdote incapaz de Se compadecer das nossas fraquezas. Pelo contrário, Ele mesmo foi provado em tudo, à nossa semelhança, excepto no pecado. Vamos, portanto, cheios de confiança, ao trono da graça, a fim de alcançarmos misericórdia e obtermos a graça de uma auxílio oportuno. Nos dias da sua vida mortal, Ele dirigiu preces e súplicas, com grandes clamores e lágrimas, Àquele que O podia livrar da morte, e foi atendido por causa da sua piedade. Apesar de ser Filho, aprendeu a obediência no sofrimento. E, tendo atingido a sua plenitude, tornou-Se, para todos os que Lhe obedecem, causa da salvação eterna.



Salmo (Sl 115 (116), 12-13.15-16bc.17-18 (R. cf. 1Cor 10, 16))
Pai, em vossas mãos entrego o meu espírito.
3ª Leitura
Do Evangelho de João (Jo 18, 1-19, 42)
N- Naquele tempo, Jesus saiu com os seus discípulos para o outro lado da torrente do Cédron. Havia lá um jardim, onde Ele entrou com os seus discípulos. Judas, que O ia entregar, conhecia também o local, porque Jesus Se reunira lá muitas vezes com os discípulos. Tomando consigo uma companhia de soldados e alguns guardas, enviados pelos príncipes dos sacerdotes e pelos fariseus, Judas chegou ali, com archotes, lanternas e armas. Sabendo Jesus tudo o que Lhe ia acontecer, adiantou-Se e perguntou-lhes: J- « A quem buscais?» N- Eles responderam-Lhe: R- «A Jesus de Nazaré». N- Jesus disse-lhes: J- «Sou Eu». N- Judas, que O ia entregar, também estava com eles. Quando Jesus lhes disse: «Sou Eu», recuaram e caíram por terra. Jesus perguntou-lhes novamente: J- «A quem buscais?» N- Eles responderam: R- «A Jesus de Nazaré». N- Disse-lhes Jesus: J- «Já vos disse que sou Eu. Por isso, se é a Mim que buscais, deixai que estes se retirem». N- Assim se cumpriram as palavras que Ele tinha dito: «Daqueles que Me deste, não perdi nenhum». Então, Simão Pedro, que tinha uma espada, desembainhou-a e feriu um servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. O servo chamava-se Malco. Mas Jesus disse a Pedro: J- «Mete a tua espada na bainha. Não hei-de beber o cálice que meu Pai Me deu?» N- Então, a companhia de soldados, o oficial e os guardas dos judeus apoderaram-se de Jesus e manietaram-n’O. Levaram-n’O primeiro a Anás, por ser sogro de Caifás que era o sumo sacerdote nesse ano. Caifás é que tinha dado o seguinte conselho aos judeus: «Convém que morra um só homem pelo povo».       Entretanto, Simão Pedro seguia Jesus com outro discípulo. Esse discípulo era conhecido do sumo sacerdote e entrou com Jesus no pátio do sumo sacerdote, enquanto Pedro ficava à porta, do lado de fora. Então o outro discípulo, conhecido do sumo sacerdote, falou à porteira e levou Pedro para dentro. A porteira disse a Pedro: R- «Tu não és dos discípulos desse homem?» N- Ele respondeu: R- «Não sou». N- Estavam ali presentes os servos e os guardas, que, por causa do frio, tinham acendido um braseiro e se aqueciam. Pedro também se encontrava com eles a aquecer-se. Entretanto, o sumo sacerdote interrogou Jesus acerca dos seus discípulos e da sua doutrina. Jesus respondeu-lhe: J- «Falei abertamente ao mundo. Sempre ensinei na sinagoga e no templo, onde todos os judeus se reúnem, e não disse nada em segredo. Porque Me interrogas? Pergunta aos que Me ouviram o que lhes disse: eles bem sabem aquilo de que lhes falei». N- A estas palavras, um dos guardas que estava ali presente deu uma bofetada a Jesus e disse-Lhe: R- «É assim que respondes ao sumo sacerdote?» N- Jesus respondeu-lhe: J- «Se falei mal, mostra-Me em quê. Mas, se falei bem, porque Me bates?» N- Então Anás mandou Jesus manietado ao sumo sacerdote Caifás. Simão Pedro continuava ali a aquecer-se. Disseram-lhe então: R- «Tu não és também um dos seus discípulos?» N- Ele negou, dizendo: R- «Não sou». N- Replicou um dos servos do sumo sacerdote, parente daquele a quem Pedro cortara a orelha: R- «Então eu não te vi com Ele no jardim?» N- Pedro negou novamente, e logo um galo cantou. Depois, levaram Jesus da residência de Caifás ao Pretório. Era de manhã cedo. Eles não entraram no pretório, para não se contaminarem e assim poderem comer a Páscoa. Pilatos veio cá fora ter com eles e perguntou-lhes: R- «Que acusação trazeis contra este homem?» N- Eles responderam-lhe: R- «Se não fosse malfeitor, não t’O entregávamos». N- Disse-lhes Pilatos: «Tomai-O vós próprios, e julgai-O segundo a vossa lei». N- Os judeus responderam: R- «Não nos é permitido dar a morte a ninguém». N- Assim se cumpriam as palavras que Jesus tinha dito, ao indicar de que morte ia morrer. Entretanto, Pilatos entrou novamente no pretório, chamou Jesus e perguntou-Lhe: R- «Tu és o Rei dos judeus?» N- Jesus respondeu-lhe: J- «É por ti que o dizes, ou foram outros que to disseram de Mim?» N- Disse-Lhe Pilatos: R- «Porventura sou eu judeu? O teu povo e os sumos sacerdotes é que Te entregaram a Mim. Que fizeste?» N- Jesus respondeu: J- «O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que Eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui». N- Disse-Lhe Pilatos: R- «Então, Tu és Rei?» N- Jesus respondeu-lhe: J- «É como dizes: sou Rei. Para isso nasci e vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz». N- Disse-Lhe Pilatos: R- «Que é a verdade?» N- Dito isto, saiu novamente para fora e declarou aos judeus: R- «Não encontro neste homem culpa nenhuma. Mas vós estais habituados a que eu vos solte alguém pela Páscoa. Quereis que vos solte o Rei dos judeus?» N- Eles gritaram de novo: R- «Esse não. Antes Barrabás». N- Barrabás era um salteador. Então Pilatos andou que levassem Jesus e O açoitassem. Os soldados teceram uma coroa de espinhos, colocaram-Lha na cabeça e envolveram Jesus num manto de púrpura. Depois aproximavam-se d’Ele e diziam: R- «Salve, Rei dos judeus». N- E davam-Lhe bofetadas. Pilatos saiu novamente para fora e disse: R- «Eu vo-l’O trago aqui fora, para saberdes que não encontro n’Ele culpa nenhuma». N- Jesus saiu, trazendo a coroa de espinhos e o manto de púrpura. Pilatos disse-lhes: R- «Eis o homem». N- Quando viram Jesus, os príncipes dos sacerdotes e os guardas gritaram: R- «Crucifica-o. Crucifica-O». N- Disse-lhes Pilatos: R- «Tomai-O vós mesmos e crucificai-O, que eu não encontro n’Ele culpa alguma». N- Responderam-lhe os judeus: R- «Nós temos uma lei e, segundo a nossa lei, deve morrer, porque Se fez Filho de Deus». N- Quando Pilatos ouviu estas palavras, ficou assustado. Voltou a entrar no pretório e perguntou a Jesus: R- «Donde és Tu?» N- Mas Jesus não lhe deu resposta. Disse-Lhe então Pilatos: R- «Não me falas? Não sabes que tenho poder para Te soltar e para Te crucificar?» N- Jesus respondeu-lhe: J- «Nenhum poder terias sobre Mim, se não fosse dado do alto. Por isso, quem Me entregou a ti tem maior pecado». N- A partir de então, Pilatos procurava libertar Jesus. Mas os judeus gritavam: R- «Se O libertares, não és amigo de César: todo aquele que se faz rei é contra César». N- Ao ouvir estas palavras, Pilatos trouxe Jesus para fora e sentou-se no tribunal, no lugar chamado «Lagedo», em Hebraico «Gabatá». Era a Preparação da Páscoa, por volta do meio-dia. Disse então aos judeus: R- «Eis o vosso Rei!» N- Mas eles gritaram: R-  «À morte, à morte! Crucifica-O!» N- Disse-lhes Pilatos: R- «Hei-de crucificar o vosso Rei?» N- Replicaram-lhe os príncipes dos sacerdotes: R- «Não temos outro rei senão César». N- Entregou-lhes então Jesus, para ser crucificado. E eles apoderaram-se de Jesus. Levando a cruz, Jesus saiu para o chamado Lugar do Calvário, que em hebraico se diz Gólgota. Ali O crucificaram, e com Ele mais dois: um de cada lado e Jesus no meio. Pilatos escreveu ainda um letreiro e colocou-o no alto da cruz; nele estava escrito: «Jesus de Nazaré, Rei dos judeus». Muitos judeus leram esse letreiro, porque o lugar onde Jesus tinha sido crucificado era perto da cidade. Estava escrito em hebraico, grego e latim. Diziam então a Pilatos os príncipes dos sacerdotes dos judeus: R- «Não escrevas:”Rei dos judeus”, mas que Ele afirmou: “Eu sou o Rei dos judeus”». N- Pilatos retorquiu: R- «O que escrevi está escrito». N- Quando crucificaram Jesus, os soldados tomaram as suas vestes, das quais fizeram quatro lotes, um para cada soldado, e ficaram também com a túnica. A túnica não tinha costura: era tecida de alto a baixo como um todo. Disseram uns aos outros: R- «Não a rasguemos, mas lancemos sortes, para ver de quem será». N- Assim se cumpria a Escritura: «Repartiram entre si as minhas vestes e deitaram sortes sobre a minha túnica». Foi o que fizeram os soldados. Estavam junto à cruz de Jesus sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria, mulher de Cléofas e Maria Madalena. Ao ver sua Mãe e o discípulo que Ele amava, Jesus disse a sua Mãe: J- «Mulher, eis o teu filho». N- Depois disse ao discípulo: J- «Eis a tua Mãe». N- E a partir daquele momento, o discípulo recebeu-a em sua casa. Depois, sabendo que tudo estava consumado e para que se cumprisse a Escritura, Jesus disse: J- «Tenho sede». N- Estava ali um vaso cheio de vinagre. Prenderam a uma vara uma esponja embebida em vinagre e levaram-Lha à boca. Quando Jesus tomou o vinagre, exclamou: J- «Tudo está consumado». N- E, inclinado a cabeça, expirou. ¾ Por ser a Preparação, e para que os corpos não ficassem na cruz durante o sábado, - era um grande dia aquele sábado - os judeus pediram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas e fossem retirados. Os soldados vieram e quebraram as pernas ao primeiro, depois ao outro que tinha sido crucificado com ele. Ao chegarem a Jesus, vendo-O já morto, não Lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados trespasso-Lhe o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água. Aquele que viu é que dá testemunho e o seu testemunho é verdadeiro. Ele sabe que diz a verdade, para que também vós acrediteis. Assim aconteceu para se cumprir a Escritura, que diz: «Nenhum osso lhe será quebrado». Diz ainda outra passagem da Esritura: «Hão-de olhar para Aquele que trespassaram». Depois disto, José de Arimateia, que era discípulo de Jesus, embora oculto por medo dos judeus, pediu licença a Pilatos para levar o corpo de Jesus. Pilatos permitiu-lho. José veio então tirar o corpo de Jesus. Veio Também Nicodemos, aquele que, antes, tinha ido de noite ao encontro de Jesus. Trazia uma mistura de quase cem libras de mirra e aloés. Tomaram o corpo de Jesus e envolveram-no em ligaduras juntamente com os perfumes, como é costume sepultar entre os judeus. No local em que Jesus tinha sido crucificado, havia um jardim e, no jardim, um sepulcro novo, no qual ainda ninguém fora sepultado. Foi aí que, por causa da Preparação dos judeus, porque o sepulcro ficava perto, depositaram Jesus.





”... Amou-os até ao fim ...”



Quinta-Feira Santa da Quaresma
21|ABR|11



1ª Leitura
Do Livro do Êxodo (Ex 12, 1-8.11-14)
Naqueles dias, o Senhor disse a Moisés e a Aarão na terra do Egipto: «Este mês será para vós o princípio dos meses; fareis dele o primeiro mês do ano. Falai a toda a comunidade de Israel e dizei-lhe: No dia dez deste mês, procure cada qual um cordeiro por família, uma rês por cada casa. Se a família for pequena demais para comer um cordeiro, junte-se ao vizinho mais próximo, segundo o número de pessoas, tendo em conta o que cada um pode comer. Tomareis um animal sem defeito, macho e de um ano de idade. Podeis escolher um cordeiro ou um cabrito. Deveis conservá-lo até ao dia catorze desse mês. Então, toda a assembleia da comunidade de Israel o imolará ao cair da tarde. Recolherão depois o seu sangue, que será espalhado nos dois umbrais e na padieira da porta das casas em que o comerem. E comerão a carne nessa mesma noite; comê-la-ão assada ao fogo, com pães ázimos e ervas amargas. Quando o comerdes, tereis os rins cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão. Comereis a toda a pressa: é a Páscoa do Senhor. Nessa mesma noite, passarei pela terra do Egipto e hei-de ferir de morte, na terra do Egipto, todos os primogénitos, desde os homens até aos animais. Assim exercerei a minha justiça contra os deuses do Egipto, Eu, o Senhor. O sangue será para vós um sinal, nas casas em que estiverdes: ao ver o sangue, passarei adiante e não sereis atingidos pelo flagelo exterminador, quando Eu ferir a terra do Egipto. Esse dia será para vós uma data memorável, que haveis de celebrar com uma festa em honra do Senhor. Festejá-lo-eis de geração em geração, como instituição perpétua».
Salmo (Sl 115 (116), 12-13.15-16bc.17-18 (R. cf. 1Cor 10, 16))
O cálice de bênção é comunhão do Sangue de Cristo.
Da Primeira Carta de Paulo aos Coríntios (1Cor 11, 23-26)

Irmãos: Eu recebi do Senhor o que também vos transmiti: o Senhor Jesus, na noite em que ia ser entregue, tomou o pão e, dando graças, partiu-o e disse: «Isto é o meu Corpo, entregue por vós. Fazei isto em memória de Mim». Do mesmo modo, no fim da ceia, tomou o cálice e disse: «Este cálice é a nova aliança no meu Sangue. Todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de Mim». Na verdade, todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciareis a morte do Senhor, até que Ele venha.
Do Evangelho Segundo João (Jo 13, 1-15)

Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, Ele, que amara os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim. No decorrer da ceia, tendo já o Demónio metido no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, a ideia de O entregar, Jesus, sabendo que o Pai Lhe tinha dado toda a autoridade, sabendo que saíra de Deus e para Deus voltava, levantou-Se da mesa, tirou o manto e tomou uma toalha que pôs à cintura. Depois, deitou água numa bacia, e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha que pusera à cintura. Quando chegou a Simão Pedro, este disse-Lhe: «Senhor, Tu vais lavar-me os pés?» Jesus respondeu: «O que estou a fazer, não o podes entender agora, mas compreendê-lo-ás mais tarde». Pedro insistiu: «Nunca consentirei que me laves os pés». Jesus respondeu-lhe: «Se não tos lavar, não terás parte comigo». Simão Pedro replicou: «Senhor, então não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça». Jesus respondeu-lhe: «Aquele que está lavado não precisa de se lavar de novo: todo ele está limpo. Vós estais limpos, mas não todos». Jesus bem sabia quem O havia de entregar. Foi por isso que acrescentou: «Nem todos estais limpos». Depois de lhes lavar os pés, Jesus tomou o manto e pôs-Se de novo à mesa. Então disse-lhes: «Compreendeis o que vos fiz? Vós chamais-Me Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque o sou. Se Eu, que sou Mestre e Senhor, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo, para que, assim como Eu fiz, vós façais também».

quinta-feira, 14 de abril de 2011

… a Liberdade tem um preço! …

Domingo Ramos da Quaresma (A)
17|ABR|11


1ª Leitura
Do Livro de Isaías (Is 50, 4-7)
O Senhor deu-me a graça de falar como um discípulo, para que eu saiba dizer uma palavra de alento aos que andam abatidos. Todas as manhãs Ele desperta os meus ouvidos, para eu escutar, como escutam os discípulos. O Senhor Deus abriu-me os ouvidos e eu não resisti nem recuei um passo. Apresentei as costas àqueles que me batiam e a face aos que me arrancavam a barba; não desviei o meu rosto dos que me insultavam e cuspiam. Mas o Senhor Deus veio em meu auxílio, e, por isso, não fiquei envergonhado; tornei o meu rosto duro como pedra, e sei que não ficarei desiludido.

Salmo (Sl 21 (22), 8-9.17-18a.19-20.23-24 (R. 2a))
Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?


2ª Leitura
Da Carta de Paulo aos Filipenses (Fil 2, 6-11)
Cristo Jesus, que era de condição divina, não Se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si próprio. Assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz. Por isso Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus todos se ajoelhem no céu, na terra e nos abismos, e toda a língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.

3ª Leitura
Do Evangelho Segundo Mateus (breve) (Mt 27, 11-54)
N- Naquele tempo, Jesus foi levado à presença do governador Pilatos, que lhe perguntou:
R- «Tu és o Rei dos judeus?» 
N- Jesus respondeu: 
J- «É como dizes». 
N- Mas, ao ser acusado pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu. Disse-Lhe então Pilatos: 
R- «Não ouves quantas acusações levantam contra Ti?» 
N- Mas Jesus não respondeu coisa alguma, a ponto de o governador ficar muito admirado. Ora, pela festa da Páscoa, o governador costumava soltar um preso, à escolha do povo. Nessa altura, havia um preso famoso, chamado Barrabás. E, quando eles se reuniram, disse-lhes: 
R- «Qual quereis que vos solte? Barrabás, ou Jesus, chamado Cristo?» 
N- Ele bem sabia que O tinham entregado por inveja. Enquanto estava sentado no tribunal, a mulher mandou-lhe dizer:
R- «Não te prendas com a causa desse justo, pois hoje sofri muito em sonhos por causa d’Ele». 
N- Entretanto, os príncipes dos sacerdotes e os anciãos persuadiram a multidão a que pedisse Barrabás e fizesse morrer Jesus. O governador tomou a palavra e perguntou-lhes: 
R- «Qual dos dois quereis que vos solte?» 
N- Eles responderam: 
R- «Barrabás». 
N- Disse-lhes Pilatos:
R- «E que hei-de fazer de Jesus, chamado Cristo?» 
N- Responderam todos: 
R- «Seja crucificado». 
N- Pilatos insistiu: 
R- «Que mal fez Ele?» 
N- Mas eles gritavam cada vez mais: 
R- «Seja crucificado». 
N- Pilatos, vendo que não conseguia nada e aumentava o tumulto, mandou vir água e lavou as mãos na presença da multidão, dizendo: 
R- «Estou inocente do sangue deste homem. Isso é lá convosco».
N- E todo o povo respondeu: 
R- «O seu sangue caia sobre nós e sobre os nossos filhos». 
N- Soltou-lhes então Barrabás. E, depois de ter mandado açoitar Jesus, entregou-lh’O para ser crucificado. Então os soldados do governador levaram Jesus para o pretório e reuniram à volta d’Ele toda a coorte. Tiraram-Lhe a roupa e envolveram-n’O num manto vermelho. Teceram uma coroa de espinhos e puseram-Lha na cabeça e colocaram uma cana na sua mão direita. Ajoelhando diante d’Ele, escarneciam-n’O, dizendo: 
R- «Salve, Rei dos judeus!» 
N- Depois, cuspiam-Lhe no rosto e, pegando na cana, batiam-Lhe com ela na cabeça. Depois de O terem escarnecido, tiraram-Lhe o manto, vestiram-Lhe as suas roupas e levaram-n’O para ser crucificado. 
N- Ao saírem, encontraram um homem de Cirene, chamado Simão, e requisitaram-no para levar a cruz de Jesus. Chegados a um lugar chamado Gólgota, que quer dizer lugar do Calvário, deram-Lhe a beber vinho misturado com fel. Mas Jesus, depois de o provar, não quis beber. Depois de O terem crucificado, repartiram entre si as suas vestes, tirando-as à sorte, e ficaram ali sentados a guardá-l’O. Por cima da sua cabeça puseram um letreiro, indicando a causa da sua condenação: «Este é Jesus, o Rei dos judeus». Foram crucificados com Ele dois salteadores, um à direita e outro à esquerda. Os que passavam insultavam-n’O e abanavam a cabeça, dizendo: 
R- «Tu que destruías o templo e o reedificavas em três dias, salva-Te a Ti mesmo; se és Filho de Deus, desce da cruz».
N- Os príncipes dos sacerdotes, juntamente com os escribas e os anciãos, também troçavam d’Ele, dizendo: 
R- «Salvou os outros e não pode salvar-Se a Si mesmo! Se é o Rei de Israel, desça agora da cruz e acreditaremos n’Ele. Confiou em Deus:  Ele que O livre agora, se O ama, porque disse: ‘Eu sou Filho de Deus’». 
N- Até os salteadores crucificados com Ele O insultavam. Desde o meio-dia até às três horas da tarde, as trevas envolveram toda a terra. E, pelas três horas da tarde, Jesus clamou com voz forte: 
J- «Eli, Eli, lema sabachtani!», 
N- que quer dizer: «Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonastes?» Alguns dos presentes, ouvindo isto, disseram: 
R- «Está a chamar por Elias». 
N- Um deles correu a tomar uma esponja, embebeu-a em vinagre, pô-la na ponta duma cana e deu-Lhe a beber. Mas os outros disseram: 
R- «Deixa lá. Vejamos se Elias vem salvá-l’O». 
N- E Jesus, clamando outra vez com voz forte, expirou. Então, o véu do templo rasgou-se em duas partes,  de alto a baixo; a terra tremeu e as rochas fenderam-se. Abriram-se os túmulos e muitos dos corpos de santos que tinham morrido ressuscitaram; e, saindo do sepulcro, depois da ressurreição de Jesus, entraram na cidade santa e apareceram a muitos. Entretanto, o centurião e os que com ele guardavam Jesus, ao verem o tremor de terra e o que estava a acontecer, ficaram aterrados e disseram: «Este era verdadeiramente Filho de Deus».



XIV - Jesus é sepultado


Décima Quarta Estação
Jesus é sepultado
José, tomando o corpo de Jesus, envolveu-O num lençol limpo e colocou-O num túmulo novo, que mandou escavar na rocha. Em seguida, rolou uma grande pedra para fechar a entrada do túmulo e retirou-se. Maria Madalena e a outra Maria estavam ali sentadas, era frente do sepulcro (Mt 27,59-61).









Meditação
Sobre o monte Calvário desceu, com a tarde, um profundo silêncio. A dor já não tem lágrimas, nem palavras, enquanto, envolvido no branco lençol, o corpo do mais insigne dos filhos do homem é deposto no sepulcro escavado na rocha. José de Arimateia, o bom discípulo, cumpre os últimos gestos de piedade humana e de religiosa devoção para com o Mestre. Agora o Rei dorme, vigiado pelos guardas, mas não está sepultada com Ele a destemida esperança. Sim, porque depois do Seu profundo tormento e de se ter oferecido em expiação, Ele verá a luz. E terá a uma longa descendência (cf. Is 53,10-11). No coração da noite a semente prepara-se para brotar; o ar perfuma-se de uma nova primavera: eis o pressentimento ardente de Maria Madalena e da outra Maria... que numa santa ansiedade aguardam no jardim.
Jesus, nossa Vida e nossa Ressurreição,
nós cremos em Ti!

XIII - Jesus é descido da cruz


Décima Terceira Estação
Jesus é descido da cruz
Estavam ali muitas mulheres, a olhar de longe; elas tinham seguido Jesus desde a Galileia para O servir... Ao entardecer, chegou um homem rico de Arimateia, chamado José, que também se tornara discípulo de Jesus. Ele dirigiu-se a Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. Então Pilatos ordenou que lhe fosse entregue (Mt 27,55.57-58).








Meditação
Debaixo da cruz, preparada para Te receber como um cacho maduro despegado da videira, está a Tua Mãe: cálice a transbordar de amor e de sofrimento. Mas também outras mulheres - as mais fiéis -ficam a olhar-Te, de coração em pranto pela dor da Tua morte e a angústia de Maria. Elas representam, todas as mães, todas as filhas, as esposas, as irmãs, todas as mulheres, ministras da consolação e da caridade. Tu precisas delas constantemente na pessoa de quem sofre, de quem morre. Suscita ainda, Senhor Jesus, mulheres da estirpe de Maria, ícones viventes da Tua doce piedade, para que, desde o berço até à sepultura e mais além, cada criatura humana se sinta amada e amparada, no Teu santo Nome, no seio da santa mãe Igreja.
Ó Cristo, cálice da salvação,
tem piedade de nós!

XII - Jesus morre na cruz


Décima Segunda Estação
Jesus morre na cruz
A Mãe de Jesus, a irmã de Sua Mãe, Maria de Cléofas e Maria Madalena estavam junto à cruz. Jesus, vendo a Sua Mãe e, perto dela, o discípulo a quem amava, disse à Mãe: "Mulher, eis o teu filho!". Depois disse ao discípulo: "Eis a tua Mãe!" (Jo 19,25-27).
Desde o meio-dia até às três horas da tarde fez-se escuridão em toda a terra. Pelas três horas, Jesus deu um grande grito: "Eli, Eli, lamá sabactâni?", que significa: "Meu Deus, meu Deus, por que Me abandonaste?"... E Jesus, dando um grande grito, entregou o espírito (Mt 27,45-46.50).




Meditação
O poder das trevas parece prevalecer: Tu, Homem-Deus, tragicamente sozinho, suspenso entre o céu e a terra, és o árbitro da história. Esta é a hora "zero". O Teu grito de morte rasga a atmosfera cinzenta do tempo e ganha para nós o limiar resplandecente da vida eterna. O Teu derradeiro suspiro confiando-Te nas mãos do Pai, torna-se o grito de regozijo no coração da Mãe Igreja, pelo nascimento do homem novo. Grande é este mistério! E Maria, Tua-nossa Mãe, lá está, junto à cruz, envolta na sabedoria do silêncio.
Cordeiro de Deus que tiras o pecado do mundo,
tem piedade de nós!

XI - Jesus é pregado na cruz


Décima Primeira Estação
Jesus é pregado na cruz
Depois de O crucificarem, fizeram um sorteio, repartindo entre si as suas vestes. E ficaram ali sentados a guardá-l'O. Acima da cabeça de Jesus puseram o motivo da sua condenação: "Este é Jesus, o Rei dos Judeus". Com Ele foram crucificados dois ladrões, um à direita, outro à esquerda. E os que passavam perto, injuriavam-n'O, meneando a cabeça e dizendo: "... Se Tu és o Filho de Deus, desce da cruz!". Também os chefes dos sacerdotes, juntamente com os escribas e os anciãos caçoavam d'Ele: "Salvou os outros, e não pode salvar-Se a Si mesmo. Se é o Rei de Israel, desça agora da cruz e acreditaremos n'Ele (Mt 27,35-42).


Meditação
Como videira viçosa que a tempestade despojou dos seus ramos verdes, assim Tu, pregado no madeiro da cruz, Te converteste no drama entre o céu e a terra. O Teu corpo estendido em dimensão cósmica é a expressão absoluta do dom e do acolhimento. O velho inimigo está todavia ali, pontualmente, para desferir o último e desesperado ataque. < Desce...! Salva-Te a Ti mesmo!". Senhor Jesus, se Tu tivesses descido da cruz todos nós estaríamos perdidos; se Tu tivesses manifestado o Teu poder divino, não teria brotado sobre o mundo o rio de graça que regenera os crentes para a nova vida. Abençoado aquele madeiro por meio do qual Tu mesmo Te pregaste à vontade do Pai para salvação da humanidade inteira!
Por todas as nossas cobardias e desobediências,
Senhor, tem piedade de nós!

X - Jesus é despojado das suas vestes


Décima Estação
Jesus é despojado das suas vestes
Chegados a um lugar chamado Gólgota... deram-Lhe a beber vinho misturado com fel... (Mt 27,33-34)
Depois de crucificarem Jesus, os soldados dividiram em quatro as suas vestes, ficando cada um com a sua parte. Deixaram de lado a túnica. Era uma peça única e sem costura. Por isso disseram entre si: "Não a rasguemos, mas tiremo-la à sorte para ver com quem fica". Assim se cumpria a Escritura: "Repartiram entre si as minhas vestes e deitaram sortes sobre a minha túnica" (Jo 19,23-24).





Meditação
Entraste no mundo despojando-Te da Tua glória de Filho de Deus, para nascer filho do homem. Nesta hora tão decisiva da história, a Tua humanidade continua a ser despojada por mãos profanas... O Teu corpo, que tomou forma igual à nossa no seio imaculado da Virgem, é desnudado e feito objecto de irreverência e de vulgaridade. Contudo, Tu eras Rei, Tu eras o único Senhor do mundo! Ver-Te é o mesmo que ver a luz, tocar-Te é como sentir o fogo. Como ousaremos olhar-Te, nós que Te lançámos em cima o barro do nosso pecado? Carregando sobre Ti a nossa vergonha, Tu nos revestes da Tua santidade. A Tua túnica, de uma só peça, é a veste nupcial que dás à Tua queridíssima Igreja.
Por todas as nossas divisões,
Senhor Jesus, tem piedade de nós!

IX - Jesus cai pela terceira vez

Nona Estação
Jesus cai pela terceira vez
É bom que o homem carregue o seu jugo desde a juventude. Que esteja sozinho e fique calado, quando a desgraça cai sobre ele; que ponha a sua boca no pó; talvez haja esperança; que dê a cara a quem o fere até se fartar de insultos, porque o Senhor não o rejeitará para sempre... Embora castigue, também terá piedade segundo a Sua grande misericórdia (Lm 3,27-32) . Vinde a Mim, vós todos que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o Meu jugo e aprendei de Mim que sou manso e humilde de coração (Mt 11,28-29).




Meditação
Senhor Jesus, no estrondo da terceira queda reconhecemos a miséria das nossas presunções. Tu queres ensinar-nos a esperar a salvação somente em Deus nosso Pai. O Teu silêncio de humildade e o Teu manso padecer fazem-nos perceber o segredo da força interior que impele para a frente no Teu caminho de obediência filial. Possa esta Tua força de amor comunicar-se ao coração de cada homem abatido sob os golpes da provação; ao coração de cada jovem preso nas garras da alienação... Seja quebrado o jugo de toda a escravidão e, reconfortados pelo Teu perdão, todos os homens possam aliviar-se na fonte viva do Teu Amor eterno.
Jesus, nossa força e nossa salvação,
tem piedade de nós!



domingo, 10 de abril de 2011

VIII - Jesus encontra as mulheres de Jerusalém


Oitava Estação
Jesus encontra as mulheres de Jerusalém
Grita do teu coração ao Senhor, ó virgem, filha de Sião; faz derramar como torrente as tuas lágrimas... levanta para Ele as mãos pela vida dos teus amados filhos que morrem de fome em cada esquina da rua (Lm 2,18.19). Grande multidão O seguia, e as mulheres batiam no peito e lamentavam-se por causa d'Ele. Jesus, porém, voltando-Se para as mulheres, disse: "Filhas de Jerusalém, não choreis sobre Mim, mas antes sobre vós mesmas e sobre os vossos filhos. Dias virão em que se dirá: Felizes as estéreis cujas entranhas nunca deram à luz e cujos seios nunca amamentaram. Pois se tratam assim o lenho verde, o que acontecerá com o seco?" (Lc 23,27-29.31).


Meditação
Ó Jesus, um dia, uma mulher derramou sobre os Teus pés lágrimas de amor e de arrependimento. Ainda uma mulher - e se chamava Maria -durante uma última ceia havia derramado sobre a Tua cabeça perfume de nardo puríssimo... E agora são as "filhas de Jerusalém", que, a chorar, vêm ao Teu encontro; são mulheres da estirpe de Raquel, para lançar sobre Ti a amarga lamentação. Sim é muito justo que Tu sejas chorado como um filho primogénito, o mais querido, destinado à morte. Mas Tu as convidas a chorar sobre a sua sorte de mães aflitas, de mães despojadas como árvores de fruto atacadas pelo turbilhão. São uma multidão, estas mulheres, sobre a terra... Choram, sim, são mães que choram sobre esta hora trágica da história, mulheres que no Teu e no seio de Tua Mãe derramam o rio das suas lágrimas, para que cada dor tenha a sua compaixão, a graça do amor que redime.
Senhor Jesus,
Primogénito entre muitos irmãos,
tem piedade de nós!

VII - Jesus cai pela segunda vez


Sétima Estação
Jesus cai pela segunda vez
Eu sou o homem que conheceu a miséria sob a vara do seu furor. Ele me guiou e me fez andar nas trevas e não na luz... Murou os meus caminhos com pedras lavradas, obstruiu as minhas veredas... Ele quebrou os meus dentes com cascalho estendeu-me na cinza (Lm 3,1-2.9.16). Não temos um sumo sacerdote incapaz de se compadecer das nossas enfermidades, pois Ele mesmo foi provado em tudo como nós, excepto no pecado (Hb 4,15).






Meditação
A primeira queda de alguém pode provocar sentimentos de compaixão e de compreensão, a recaída, pelo contrário, provoca muitas vezes escândalo e indignação. Ó Jesus, homem das dores, quem poderá conhecer o mistério de humildade escondido no Teu desfalecimento repetido ao longo do caminho? Na verdade Tu quiseste ser provado em todas as coisas como nós, excepto no pecado. Próprio do amor que Te levou a revestires-Te das nossas enfermidades, tornaste-Te para nós fortaleza e escudo contra os assaltos contínuos do mal. Cairemos, sim, cairemos talvez ainda muitas vezes debaixo do açoite da tentação, mas Tu, Senhor, sustentarnos-ás, e far-nos-ás caminhar novamente de cabeça levantada, como participes da Tua dignidade real.
Ó Cristo, Bom Samaritano,
piedosamente debruçado sobre
as nossas feridas,
tem piedade de nós!
 

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